O consumo via Comércio Eletrônico cresce 50% no Brasil

Devido ao confinamento pela COVID-19 e ao fato de que o comércio esteja fechado para o que não é considerado essencial, muitos consumidores e empresários optaram pelo uso do e-Commerce (comércio eletrônico). Mas por que? Como me ajustar a este momento? Como me previnir às fraudes? Como escolher os melhores sites de compras online?

Compras on-line crescem no Brasil (Direitos da Fotografia: Mymemo via Adobe Acrobat)

Segundo o portal ecommercebrasil.com os brasileiros estão cada vez mais ávidos por aderir às compras online. As compras pelo meio digital vêm crescendo mês a mês demonstrando uma mudança de hábito interessante do consumidor brasileiro. Culturalmente o brasileiro prefere ir às lojas, escolher os produtos, perguntar e experimentar. Como não há como fazer visitas às lojas pelo momento de confinamento, os sites de e-Commerce passam a ser boa opção. Há um grande foco dos consumidores nas de alimentação, bebidas e produtos eletrônicos.

O estudo aponta que 46% das pessoas aumentaram as suas compras por meio digital em mais de 50%. Somente em Abril o e-commerce cresceu 81% segundo outra pesquisa do portal ecommercebrasil.com.

Este crescimento alto faz com que as empresas do setor acelerem a estruturação de modo a suportar o aumento da demanda, prevendo a permanência desta tendência de crescimento das vendas digitais pós-pandemia. Me refiro à necessidade de novas aquisições de serviços de rede na nuvem (de forma simples, infraestrutura de servidores, storage, rede e banco de dados providos de forma virtual, escaláveis e cobrados sob demanda), de armazenamento físico, mais pessoas e processos, maior automação, maior foco nos canais de comunicação, melhor design de produtos e do portal e muitos outros. O Brasil não será o mesmo depois deste momento, principalmente nos setores varejista e de bens de consumo.

Mas e quanto ao consumidor? O que ele precisa saber? Bom, o consumidor precisa estar atento às entidades sem referência, com risco de perder dinheiro. Algumas dicas válidas a seguir:

  1. Todos nós temos as nossas preferências por empresas, produtos e marcas. Procurar entender se estão estruturadas para atendimento via portal de e-Commerce é o primeiro passo. Não precisamos necessariamente mudar nossas preferências, mas pode ser que não haja outra forma. Ex.: se gosto de tomar uma determinada cerveja artesanal, preciso entender se o cervejeiro está vendendo digitalmente e se faz entrega em casa ou tenho de passar na loja para pegar (entrega feita na empresa).
  2. Não usar internet gratuita para fazer suas compras. Procure usar uma rede confiável e fechada, a de sua casa de preferência, considerando todas as configurações de segurança como uso de senhas fortes.
  3. Atente se o site oferece algum tipo de garantia de devolução, algum tipo de meio de pagamento seguro e por fim, vale à pena olhar se o portal é referenciado no portal reclameaqui.com.br antes de comprar, para ver se há reclamações e como os clientes são tratados ao resolvê-las.
  4. É comum quando fazemos uma compra online, fazermos um cadastro antes. Nossos dados são preciosos, são nossa propriedade e toda empresa séria precisa seguir normas e regulações para a proteção dos mesmos. (leia sobre a Lei Geral de Proteção do Dados, ou LGPD no portal agenciabrasil.com). “A LGPD disciplina como empresas e entes públicos podem coletar e tratar informações de pessoas, estabelecendo direitos, exigências e procedimentos nesses tipos de atividades.
  5. Consulte os preços, os mesmos podem variar até 70% de um site para o outro. Cuidado com produtos falsos, que dizem ser de uma marca e no final são réplicas. Como vejo isto? Avalie as fotos com cuidado, verifique os preços, pois se são muito baixos para produtos novos, merecem atenção redobrada antes de comprar, pergunte ao vendedor sobre a procedência. Ferramentas como o buscape.com.br, mercadolivre.com, ebay.com, amazon.com são fontes interessantes para começar a buscar os produtos e ter noção de escolha. Na maioria destes mercados se pode comprar inclusive de pessoas físicas. Quando uma pessoa ou empresa vende produtos pela internet costuma-se receber avaliações de seus clientes, o Score ou Rating (estrelas), além de comentários. Valide antes se este vendedor é bem-conceituado (4 ou 5 estrelas), se entrega no prazo, se os produtos são originais e se é atencioso com os clientes. Bons comerciantes cuidam para que seus clientes comprem e voltem a comprar. Se têm dúvidas sobre o produto, pergunte antes e tenha a noção exata sobre como funciona o processo de devolução.
  6. O processo de envio de produtos aos consumidores tem melhorado muito no Brasil e neste momento de pandemia as empresas de logística estão com altos índices de entrega, um aumento de mais de 70%. A referida pesquisa do portal ecommercebrasil.com menciona que os clientes estão altamente satisfeitos, cerca de 80% de satisfação. Há um entendimento que a alta demanda afeta a logística, a qual está se ajustando para suportá-la, aceitando inclusive pequenos atrasos sem impacto direto na satisfação.

Se está com receio de comprar digitalmente, mas você deseja experimentar, sugiro inicialmente comprar produtos de pequeno valor para testar. Não esquecer de seguir os 6 pontos acima. Depois é só evoluir para compras mais substanciais. Tente pedir flores, comidas, bebidas, um tênis que já conhece o modelo e a numeração que melhor se adequa a você, cartucho para impressora, entre outros. Uma vantagem interessante é que se quiser presentear alguém, você pode enviar direto para a casa da pessoa, afinal você não quer esperar passar o período de confinamento obrigatório para entregar o seu presente, certo?

Olhando agora para o lado das empresas de vendas de produtos e que agora estão se especializando também em vender pela internet, estas precisam prestar atenção aos pontos acima e principalmente sobre a usabilidade e quão amigável o seu site é. A experiência do usuário precisa ser fantástica, se trata de garantir a qualidade para uma maior competitividade.

Mas, o que é isto? E como podemos dirigir melhor a nossa atenção para o tema? É como o cliente, o usuário navega no site, como encontra os produtos buscados, quão fácil é comprar no site, contatar o vendedor, fazer uma devolução, o passo a passo ser simples, confiável e rápido, ou seja, ser menos burocrático e acima de tudo passar segurança. Já ia me esquecendo, o site precisa dar a possibilidade de se fazer pagamentos considerando os tipos mais comuns, como cartão de crédito, débito, boleto, etc.

Mais do que vender, é fundamental cuidar da experiência do usuário, insisto. Um bom portal de vendas precisa ter recorrência e primar pela fidelização. Ou seja, eu comprei este mês e posso voltar a comprar no mês que vem, e no outro de novo, pois fui bem atendido. Além é claro de recomendar o portal para um amigo ou familiar. E se o portal der um desconto ao cliente caso ele o indique para outra pessoa? Quanto menos contato com o vendedor eu tiver, mais objetivo, efetivo estará o meu portal. O tempo que levo até comprar o produto e recebê-lo, conta como experiência, logo precisa ser breve, precisa ser assertivo.

Tudo está relacionado ao fluxo deste processo e o quão eficiente ele é. A empresa precisa pensar diariamente em melhorar este processo para atrair novos clientes e reter os que já compraram, fidelizar. É por isto que profissões começam a prosperar no setor e mais vagas se abrem nas empresas. Como exemplo, o Gerente de Produtos Digitais, Gerente de Experiência do Usuário e desenvolvedores/designers. Estes profissionais são responsáveis pela criação, manutenção e lançamento de novos produtos. Eles ouvem os clientes todos os dias através de participação em atendimentos, pesquisas dirigidas de satisfação e chat (mensagem direta com o cliente via portal). Este processo serve para calibrar diariamente os produtos e o portal de vendas para melhor atender os clientes.

O mundo será diferente quando tudo normalizar e precisamos nos adaptar a ele já. A oportunidade que existe hoje precisa ser satisfeita hoje, tamanho o dinamismo que o mercado vem empregando, as empresas estão agindo, estão atentas e o consumidor é o fiel desta balança. Contudo, todo o cuidado é pouco, as fraudes existem e são cruéis. Evite aventuras. Se não conhece, não tem uma referência do estabelecimento, não vá em frente. Procure se amparar e comprar de nomes conhecidos do mercado, ou via portal de compras já estabelecidos e de domínio da sociedade. Mesmo assim não existe e nunca existirá um ambiente 100% seguro na rede. Bem-vindos à nova economia digital definitivamente, onde somos mais dinâmicos, ousados e ágeis.

Um dia sem o meu celular

Vamos imaginar juntos por um momento uma situação: “Seu celular quebrou na noite anterior e você o deixou para consertar. Ficará um dia sem ele, voltará a ter acesso amanhã no final do dia, por volta de 19:00 hs.” Como será o seu dia amanhã sem seu melhor companheiro, sem o seu computador de mão que lhe dá acesso ao mundo?

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Vamos contextualizar um pouco. O uso do celular em países emergentes é maior do que em países desenvolvidos, segundo matéria do CanalTech.

https://canaltech.com.br/internet/brasil-e-o-segundo-pais-do-mundo-a-passar-mais-tempo-na-internet-131925/

A matéria ainda mostra que o  Brasil é o segundo país do mundo que passa mais tempo conectado à internet. No mundo as pessoas ficam em média 06:42 minutos conectadas à internet, enquanto que no Brasil as pessoas ficam 09:29 minutos em média todos os dias.

O mesmo estudo mostra que cerca de 67% da população mundial possui um aparelho celular e grande parte dos novos usuários adquirem seus aparelhos celulares para participarem das mídias sociais.

Bom, vamos tentar comprovar a veracidade dos dados criando uma situação que pode perfeitamente ser real na vida de cada um de nós. Nosso celular quebrou e ficaremos um dia sem ele.

Você acorda pela manhã e provavelmente se dirige ao seu banheiro sem o seu celular. Um vazio bate forte neste momento e você procura insanamente por uma revista, por um jornal e lembra que cancelou todas as suas assinaturas para a forma digital, acesso a eles somente via internet agora. Então você decide prosseguir sem nada mesmo. Levar um livro ao banheiro seria uma boa idéia, você pensa, mas não sei, é meio anti-higiênico… bem, você decide ir desnudo de leituras mesmo.

Você sai do banheiro depois de planejar com calma o seu dia. Estudos indicam que as melhores idéias acontecem quando você está relaxado, no chuveiro por exemplo. Se arruma com calma, toma cuidado para colocar as meias “iguais” e que combinam com a roupa escolhida e senta para tomar um café. De repente você se dá conta de que tem um cachorro e dois gatos na casa e eles lhe pedem atenção. Você troca carinho com eles e isto torna sua manhã mais feliz, bem como a deles que serelepes demonstram a você toda a sua alegria.

Nossa! E se alguém estiver a minha procura? E agora? Você entra em pânico por 5 segundos, mas se recorda que enviou uma mensagem a todos dizendo que seu celular quebrou e ficará sem ele durante todo o dia, então pensa : “Bom, as pessoas sabendo disto vão enviar e-mails. Que alivio!”

Você acaba o seu café depois de ter pensado na sua agenda com calma, ter trocado carinho com seus animaizinhos de estimação e agora você se prepara para ir para o trabalho (vamos imaginar que já saímos do confinamento, certo?). Entra no elevador e repara que trocaram os botões do carro, colocaram um quadro de avisos e lê o comunicado da semana pela primeira vez. O condomínio vai aumentar 10%, ainda bem que vc leu e poderá se programar financeiramente no mês seguinte. Você se olha no espelho e repara o quão reluzente está, “será um grande dia!”

Entra no carro e tenta ligar o Waze, mas sem celular é impossível. Caramba, você está tão acostumado a seguir o Waze que nem lembra mais ao certo o caminho do trabalho. Bate novamente aquele pânico de 5 segundos, afinal pode ter um trânsito infernal te aguardando lá fora. Resolve então seguir os seus instintos e ir pelo “caminho da roça”, aquele comum que sempre fazia antes do Waze entrar em sua vida.

Você pára no farol e olha para o lado. Aquela olhadela proibida no celular nem pensar, ele não está lá. “Ufa, pelo menos não serei multado hoje, você pensa.” De repente você lembra que pode pensar onde vai almoçar, o que vai comer, você lembra que amanhã é aniversário do seu melhor amigo e que precisa lhe comprar um presente. Ótimo você vai almoçar no Shopping perto da empresa hoje, afinal faz tanto tempo que não faz isto. “Se eu tivesse com meu celular, poderia já olhar o que comprar, ver os preços, comparar produtos e até deixar encomendado na loja. Que perda de tempo!”

Você chega no escritório, 25 minutos mais tarde da hora habitual. Você repara que continua sendo um dos primeiros a chegar e sente uma alegria diferente quando comentam que tem pelo de cachorro na perna da sua calça. Seu colega, um que sempre está por perto e você diz bom dia todos os dias, mas se quer lembra seu nome, te pergunta se tem um cachorro, qual a raça, o nome, pergunta se tem uma foto. Você responde e lembra que lamentavelmente está sem o celular para mostrar as fotos. Puxa, você não vai conseguir fazer aquela self engraçada para mandar no grupo do clube. Tão pouco poderá ver o que estão falando no grupo. E se estiverem falando de mim? Bem, você lembra que quem está ausente vira assunto durante todo o dia, mas logo é esquecido. Lembra também que os temas são sempre os mesmos, política, seu clube de coração empatou o jogo do final de semana de novo, figurinhas, figurinhas e mais figurinhas. “Tudo bem, eu vou sobreviver!”, você pensa.

Você entra no seu computador e repara que chegaram poucas mensagens importantes. “Ufa! Não perdi muita coisa!” Você apaga 50% de mensagens que são do tipo spam e passa o olho naquelas em que está em cópia somente. Repara que sobraram 5 mensagens realmente importantes e as responde com total calma, sem dar aquela passadinha básica nas mídias sociais.

Hora do almoço! Você vai ao shopping pra comprar o presente do seu amigo como planejou. No caminho repara como os Ipês estão floridos, um casal de maritacas no fio elétrico conversando é engraçado. Repara a felicidade do catador de papelão ao receber um bom dia e retribuir, “ele parece bem feliz”, você reflete consigo. Que troca de energia bacana você está sentindo. “Meu Deus, pintaram a fachada da floricultura e, não espera, mudou o dono e nem floricultura é mais, agora é uma loja de doces! Nossa, a dona anterior era tão bacana o que será que aconteceu?” Você repara que o mundo mudou muito à sua volta e que não tinha a menor idéia. Provavelmente recomendaria a floricultura a alguém que o perguntasse, mas seria equivocado indicá-la!

Você consegue olhar as lojas e decide comprar uma camisa para o seu amigo. Consegue dar atenção para a vendedora que explica em detalhes o número de fios, a cor, o tamanho, o tipo do corte. “Nossa nem sabia que tinha tantos detalhes para comprar uma camisa, pela internet não tem esta personalização”, pensa você. Mas certamente comprou o tamanho certo e a camisa que seu amigo vai adorar, afinal prestou atenção em cada detalhe.

Você volta para o escritório, participa efusivamente de duas reuniões importantes, afinal conseguiu ter tempo para se preparar. Como resultado o seu chefe te elogia e agradece pelo trabalho sensacional que fez. Seu funcionário aproveita e pede para que o ajude numa questão urgente e você resolve tão rápido que sobrou tempo para lhe dar um feedback de qualidade. Repara o brilho nos olhos do seu funcionário e pensa quão dedicado ele é, poderia pensar em lhe dar mais responsabilidades…

Seu dia vai chegando ao fim e está quase na hora de pegar o seu celular de volta. “Nossa, que saudade!”. Vou fazer uma self, mandar para meu novo colega a foto do meu cachorro, mandar um WhatsApp para meu funcionário, ler todas as mensagens, entrar em uma Virtual Meeting com a minha família, trabalhar o novo texto do blog e por fim, na hora de deitar eu vou assistir a mais um capítulo da minha série favorita, ou ler o meu livro de cabeceira no aplicativo do Kindle. Mas antes, é claro, eu vou dar uma passadinha nas mídias sociais e ligar o Waze, afinal não quero ficar muito tempo no carro. Vou aproveitar e colocar minha playlist predileta do Spotify para tocar no carro. “Ah! A minha vida estará de volta, eu comigo mesmo e às vezes com o mundo lá fora se der tempo. De volta com o poder de me comunicar com milhares de pessoas ao mesmo tempo e receber likes e estrelinhas, tipo aquele episódio do Black Mirror que me deixou inquieto durante dias, mas tudo bem!”

Você volta à razão e chega à conclusão de que o ser humano definitivamente está doente, precisa encontrar o equilíbrio entre sua vida orgânica, relacional com o mundão lá fora, e a sua relação com a vida digital. Esta sensação de que preciso estar 100% conectado com todos e participando de tudo, faz com que o tempo passe, as relações sejam mais frias e nos tornemos muito mais indiferentes ao lado humano. Tecnologia é bom, é necessária, mas não podemos viver numa bolha e perder o que de melhor existe, a humanidade, o afeto verdadeiro e cuidarmos uns dos outros.

A Suécia é uma referência na qualidade de vida de sua população. Atualmente as empresas locais buscam aumentar ainda mais esta qualidade de vida para os seus funcionários de modo que possam usufruir de suas conquistas materiais em família. Estão testando algumas fórmulas para a redução da jornada de trabalho subtraindo um dia de trabalho na semana, ou 6 horas de trabalho diárias, sem redução dos salários. Mas, durante o expediente de 6 horas diárias o foco precisa estar 100% no trabalho, sem distrações com celular por exemplo. A partir daí terão mais tempo para passar com as suas famílias. Os primeiros resultados destes estudos mostram uma queda nos custos com saúde, mas definitivamente precisarão fazer uma jornada transformacional, pois reduzir as horas de todos os setores ao mesmo tempo, aumentará os custos no curto prazo para o estado.

Ao que parece os países desenvolvidos já encontraram uma forma de serem menos dependentes desta cultura digital desenfreada. Encontraram alguma forma de equilíbrio sem deixar de dar valor à cultura base de nossos pais e avós de se relacionar à mesa, assistir a um filme juntos e de comungar com a natureza. Uma coisa não exclue a outra, podem conviver e serem complementares. Precisamos buscar logo o equilíbrio, afinal a tecnologia é aliada para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, e como tudo na vida, o que é exagerado, é prejudicial!

Os 3 pontos de Inflexão para que a inovação tecnológica prospere

Trabalhei por quase 6 anos no Gartner Inc. Estar ao lado de intelectuais todos os dias, aprendendo e podendo apoiar os meus clientes constantemente foi fascinante. Principalmente por começar este trabalho em um momento em que o ambiente ainda era hostil para o uso contínuo do conhecimento para a tomada de decisão no Brasil.

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Diversas lições foram aprendidas, mas uma em especial gostaria de compartilhar com todos. Existe uma linha de de pensamento sobre mensurar se uma idéia, uma inovação ou tecnologia existente, ou não, é viável de ser aplicada em um dado contexto através de 3 pontos de inflexão: Tecnologia, Cultura e Regulação. Vamos explorar um pouco estes três pontos:

  1. Cultura (conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social) – se testa as fronteiras culturais e sociais. Este ponto é de extrema complexidade, afinal a entidade empreendedora precisará estudar cuidadosamente o comportamento humano, as crenças e costumes do locar o qual pretende atingir. Cada país possui a sua cultura e ambiente social. Pois bem, como aplicar uma determinada inovação e esta impactar positivamente a vida das pessoas naquele local? Imagina a dificuldade de mensurar isto em uma multinacional que quer expandir território. Trazendo para a nossa realidade, mensurar a cultura para aplicação de uma dada Inovação no Brasil, país continental com regiões bem diferentes e culturas peculiares, poder ser ainda mais complicado e de certo modo impactar o Business Case de uma empresa nacional em expansão e ou uma multinacional se o foco dela for atender ao país inteiro. Aqui tratamos exatamente o que o blog se propõe, a inovação tecnológica impactando a vida das pessoas.
  2. Regulação – regulações podem impedir ou criar as oportunidades de negócios digitais. Nos EUA os estados possuem regulações próprias, o que pode impactar bastante uma estratégia que almeja atingir a maioria dos estados do país de uma única vez, fazendo-se necessário estudo que permita focar na aplicação de ida ao mercado em ondas. Em geral eu diria que é mais provável que regulações impeçam a inovação, afinal não é fácil mudá-las e o tempo é fator preponderante para se inovar (o que é inovação hoje deixa de ser amanhã, o que é uma oportunidade hoje, deixa de ser amanhã). Se há alta volatilidade como explicado, e mais ainda, há uma dúvida sobre seguir ou não pelas leis impostas, provavelmente não está claro o impedimento e poder-se-á abrir lacunas para se discutir a aplicabilidade da inovação. Se a inovação gerar impacto positivo na vida das pessoas, na sociedade e, sendo aprovada, de certo será necessária a geração de novas regulações embasadas nesta inovação.
  3. Tecnologia – O ritmo desenfreado de evolução e uso das tecnologias nas empresas e na vida das pessoas fará com que todas as entidades governamentais ou privadas se tornem entidades tecnológicas, fornecendo produtos cada vez mais diversos atingindo às necessidades dos clientes. Cada vez mais as entidades se preocupam com o usuário, a pessoa, o consumidor. Esta peculiaridade do momento impactará e muito como estas entidades tomam decisões, o foco que precisa ser dado, suas missões, seus valores e crenças. Aqui testamos se temos tecnologia disponível para executar esta inovação e se ela pode atender às regulações e a cultura local.

Deste modo é certo dizer que se um ou mais dos três pontos acima falhar, a inovação pretendida não deveria ser aplicada, melhor ainda, deve ser estudado o seu Business Case e discutido entre todos os interessados antes de dar um próximo passo. Isto acontece muito em empresas startups e empresas já estabelecidas que estão alavancando novos produtos para escalar.

Um exemplo que gosto de usar para ilustrar este tema é o da empresa Uber. A empresa chegou no Brasil em 2014 e a cidade escolhida para dar início as suas atividades foi o Rio de Janeiro. No dia 28 de abril de 2015 a Justiça do Estado de São Paulo veio a determinar a suspensão liminar do aplicativo Uber no Brasil. Porém em 04 de maio de 2015 a liminar foi revogada, voltando a ser novamente suspensa pela Câmara de São Paulo no dia 30/06/2015. Em 10 de maio de 2016, o prefeito de São Paulo assinou um decreto regularizando o Uber na Capital. Isto aconteceu em diversos estados e países pelo mundo, com França e Reuno Unido. Vamos analisar sob a ótica dos 3 pontos de inflexão:

  1. Cultura: para se conseguir um transporte como taxi as pessoas ligavam para os pontos próximos de sua residência, torciam para que houvesse disponibilidade de carros para serem atendidos, ou iam para as ruas sinalizar para conseguir um transporte. As pessoas tomavam chuva, ficavam embaixo de sol escaldante esperando por minutos, às vezes por horas para se conseguir um taxi. Com a chegada do Uber, se tornou possível solicitar o carro de dentro do escritório, entender o tempo em que ele levaria para chegar e tomar a decisão se é suficiente ou não. Optar antecipadamente pela forma de pagamento e o tipo de taxi, se mais confortável, ou menos confortável, se mais luxuoso ou menos luxuoso, e assim por diante. Finalmente, abriu-se um novo tipo de trabalho para motoristas que não possuíam alvará de taxi, aumentando o número de veículos disponíveis para o transporte de pessoas na cidade e melhorando o atendimento aos usuários. Ou seja, a cultura foi alterada de forma abrupta e as pessoas compraram a idéia.
  2. Regulação: houve uma enxurrada de reclamações da categoria de motoristas de taxi e de transporte público. Do outro lado a população e os motoristas de aplicativo exigiam a continuidade do serviço. A adequação das leis para que o Uber pudesse ser regulado e coexistir foi praticamente irreversível. Clássico caso em que as leis foram “desafiadas” e por uma aclamação popular das partes (usuários e taxistas), precisaram ser reformuladas.
  3. Tecnologia: todo mundo tem um computador pessoal nas mãos. Os celulares e as plataformas digitais são hoje uma combinação potente para o uso da tecnologia em prol do bem-estar das pessoas. Tecnologia existe para transformar a vida das pessoas, para melhorar e potencializar a vida das pessoas. Ou seja, tínhamos a tecnologia disponível e já estávamos em um nível de maturidade bom para a utilizarmos, a adotarmos em nosso cotidiano foi questão de tempo.

Conclusão, o que sempre aconselho aos empreendedores e startups é o de analisar cuidadosamente os 3 pontos de inflexão antes de tomar decisões que impactem definitivamente a empresa. Não tenho dúvidas de que são fundamentais para a tomada de decisão e sucesso do empreendimento. O mesmo vale para inovação de processos com o uso da tecnologia, analisando as regulações internas da empresa, sua cultura através dos recursos humanos e da área de compliance da empresa.

A tecnologia na vida das pessoas chegou para ficar, não há mais volta, e a cada dia os países serão desafiados a adotar estas tecnologias para proporcionar uma qualidade melhor de vida aos cidadãos. Vou mais além, o uso dos três pontos de inflexão para a tomada de decisão deveria ser considerado também nas famílias. Algumas perguntas a serem feitas: Devo adotar uma tecnologia que impactará a cultura familiar? Devo usar uma tecnologia que desafia meus dogmas e regulamentos criados? Posso aceitar e mudar isto? Eu tenho acesso a esta tecnologia ou devo adquiri-la? A que custo e que impacto terei no orçamento familiar para mantê-la?

Material de referência: https://www.gartner.com/en/newsroom/press-releases/2015-10-07-gartner-reveals-three-digital-forces-and-three-leadership-levels-to-take-digital-to-the-core-of-every-business

Tecnologia de Reunião Virtual como aliada em tempos de confinamento

Ultimamente muito se tem discutido sobre as reuniões remotas e sobre como interagir com o mundo durante este período de confinamento pela pandemia do COVID-19.

Pessoas Fazendo uma Meeting Virtual. (Direitos de Fotografia:  Rido via Adobe Acrobat)

O uso da tecnologia para realizar reunião virtual tem sido preponderante para que as pessoas possam se conectar, seja para assuntos profissionais e, quem diria, para temas pessoais. O distanciamento entre as pessoas precisa ser mantido por questões de saúde, mas, não necessariamente precisa ser absoluto, e é aí que a tecnologia aparece como aliada.

Por que usar um aplicativo de Virtual Meeting?

  • Porque simplesmente a vida precisa continuar, os negócios precisam prosperar.
  • Porque a família, principalmente os idosos, precisam interagir com os seus familiares, mesmo que seja à distância. Isto ajuda para que não se sintam sozinhos e longe da família.
  • Porque as relações de amizade precisam ser cultivadas, mantidas, precisamos saber se nossos amigos estão bem e se precisam de algum apoio.

Estes aplicativos que antes eram basicamente usados para redução de custos com viagens, e-Learning e para evitar deslocamentos entre empresas, agora são fundamentais para o ambiente de Home Office amplamente difundido pelo mercado nos últimos meses. As reuniões antes de 1 ou 2 horas, agora são mais objetivas, 30 minutos, 40 minutos no máximo, ou seja, em princípio deveriam ser mais produtivas, certo? Errado, nem sempre. Um fenômeno tem ocorrido e merece atenção. As reuniões se tornaram constantes e simultâneas, se faz reunião para qualquer coisa. O que poderia ser resolvido através de uma ligação simples, do uso de um messenger, ou do e-mail, viraram reuniões virtuais. Este “exagero” pelo “agora”, vem aumentando o workload de forma excessiva para todos. Este novo modelo, forçado pela pandemia, criou algo insustentável, mas como é início e muitos executivos já estão realizando este dito fenômeno, acredita-se que será equilibrado em breve através do bom senso.

Algumas dicas de como podemos contornar:

  • Se trata de um momento de introspecção, profissional e pessoal em que a humanidade está passando. Então devemos aproveitar para reconstruir, reatar, alimentar novos ou esquecidos sentimentos de amor, de afeto e de diálogo;
  • Tempo é o único bem inegociável que temos. Gerencia-lo bem e de forma responsável para conseguir aproveitar ao máximo este momento de vida, é fundamental. Reuniões simultâneas das 08:00 às 20:00 horas não fará de ninguém super-herói. Bater recordes de reuniões diárias pode até trazer algum prazer profissional, mas depois de cada interação, assim como nas reuniões presenciais, gera-se uma sequência de afazeres, os chamados TO DO’s. Quando serão realizados? ;
  • Durante as reuniões virtuais, assim como nas presenciais, um participante deve liderar a reunião, controlar o tempo, elevar o objetivo ao foco sempre e controlar as manifestações para que todos possam ser ouvidos de modo a somar as idéias e distribuir as atividades;
  • Tal qual uma reunião presencial, as virtuais precisam ser saudáveis, todos devem sair com tarefas (responsável+data) e satisfeitos com o resultado final. O papel do líder é fundamental, pois a impessoalidade das reuniões pode criar um clima de insegurança e indiferença perigoso para a condução das atividades. Lembre-se, estamos em transformação de um modelo padronizado que possivelmente voltará, mas não como antes.

As tecnologias mais usadas são: Zoom, Webex, WhatsApp, Google Meet, Microsoft Teams e outros. Há que se debruçar nos detalhes de custo para algumas destas aplicações, bem como para a questão de segurança da informação. Pacotes free possuem menos features de segurança e de tempo de reunião, o que pode ser um inconveniente.

Não deixar que os momentos de descontração antes e depois das reuniões presenciais se percam, isto é fundamental, as pessoas sentem falta deste contato informal que os corredores dos escritórios proporcionam.

Por fim, aplicativos de reuniões possuem filtros que podem ser utilizados. Funciona assim: uma vez reproduzida a imagem através da câmera do seu dispositivo, a aplicação identifica o backstage e o deixa camuflado com a imagem escolhida por você. Mas cuidado! Uma vez um amigo torcedor de um time de futebol usando este processo na noite anterior em uma reunião virtual com amigos, aplicou o filtro do seu time de coração, esqueceu de o tirar e no dia seguinte em uma reunião de negócios todos ficaram sabendo qual era o seu time do coração, tornando o seu ambiente amplamente particular. O filtro é uma excelente feature para quem quer manter a sua privacidade, do seu lar e ainda gerar um momento de descontração. Contudo, todo o cuidado é pouco para evitar constrangimentos. Há quem prefira escancarar o seu ambiente particular ao público, o que pode ser interessante para quebrar o gelo da impessoalidade.

Nota: não há filtros contra choro de criança, latidos de cachorro, barulho da televisão. O espaço de trabalho veio abruptamente para o espaço familiar, compartilhando ambientes. Se não há escritório privativo na casa ou apartamento, cuidar para que todos se respeitem e usufruam de ambiente saudável, é importante. Manter a harmonia é primordial!

Cuide de você e de sua família. Estar em confinamento não significa que não precisa ter uma rotina. Estabeleça um processo bem definido e efetivo para se auto motivar constantemente. Construa sua agenda, respeite a si, seus colegas, sua empresa e sua família. Ah! Os horários de refeições devem ser respeitados, então trave sua agenda e aproveite para abraçar a sua família sempre que possível!